terça-feira, 15 de maio de 2018

...E OS DOIS FICARAM EM SILÊNCIO PORQUE NÃO HAVIA MAIS NADA À DIZER.

Você era alguma espécie de homem bonzinho (se é que isso realmente existe.)
Pelo menos foi nisso que eu quis acreditar.
Algumas ligações fingindo preocupação com minha saúde fodida, um telefone emprestado quando estive incomunicável.
Me sinto menos idiota ao lembrar que és claramente inapropriado para estar aqui.
Não é que eu sinta remorso, apenas não me perdoo por ter sido novamente burra o bastante para cair no velho truque das boas intenções.
Ainda não deixei claro o quanto sinto nojo de você agora.
Talvez por estar presa a algum tipo de dependência emocional estúpida. E isso é uma merda.
Eu estou em silêncio há algumas horas, e você nem ao menos se esforça mais para soltar um de seus vícios de linguagem regionais:
(-"Tá bom.")
E aproveitando a ocasião, deixe-me dizer o quanto sentia vergonha quando com os vidros das janelas abaixados, você aumentava o volume do rádio enquanto estuprava meus tímpanos com as merdas que costuma chamar de música.
Esta é na verdade a única coisa que vou conseguir lembrar daqui pra frente: seu mau gosto musical.
Num acesso de raiva, eu só consigo rir de mim mesma. Eu sou patética -não poética.
Me olhar no espelho se tornou um ato repugnante demais desde aquela noite -a qual eu deveria ter permanecido em minha cama ao invés de me vestir elegantemente para uma foda rápida no estacionamento.
Rezo mentalmente para que não acredite que o seu agradável silêncio soe como desprezo, e que de algum modo ridículo isso me magoe.
Só espero que você entenda que o meu silêncio, trata-se na verdade de um recado -ou uma mensagem de texto, tanto faz- no qual está escrito: Eu espero de verdade que rompa suas cavidades anais!

...Passar bem (mal) senhor filho-da-puta-do-caralho-vai-tomar-no-c*!

Ps: Agora estou dando gargalhadas, lembrando daquele par de chifres que me contou.

Um comentário:

  1. Também estou rindo do final, principalmente a parte: "Eu espero de verdade que rompa suas cavidades anais!

    ...Passar bem (mal) senhor filho-da-puta-do-caralho-vai-tomar-no-c*!".

    Desejo o mesmo para ele
    Acho que entendo o problema, as vezes demonstramos nossas fragilidades e que somos vítimas de outras pessoas que nos abusam, então as pessoas invés de serem realmente "gente", fingem compaixão mas no fundo se acham no direito de nos abusarem também, afinal não somos ninguém além de pessoas vulneraveis sem alguem por nós.

    Já me senti assim também.

    ResponderExcluir