segunda-feira, 14 de maio de 2018

ESTE FOI O NÚMERO QUATRO (MAS NÃO TENHO CERTEZA)

Ascendeu um de seus últimos cigarros e lançou a fumaça em uma direção oposta à minha enquanto dissertava sobre alguma merda política:
-"Me dá um cigarro."
Solicitou a fumante esporádica, que já não fuma há mais ou menos um mês.
-"Não."
Pontuou aquele que havia sujado recentemente sua cueca.
-"Ah... Você tem uma caneta aí?"
Interrogou fumante esporádica, que não passa de uma aspirante, mas que acredita piamente em si mesma, quando o assunto é escrita.
Este foi, pelas minhas contas, o número quatro (não o homem, obviamente.)
Minha mente se esvaía dali em formato de textos autobiográficos, enquanto eu simulava soltar baforadas com um cigarro falso, feito com um desses papéis franzinos de amostra grátis (que foi-me entregue enquanto passava frente à uma perfumaria.)
Antes de partir, borrifou sobre minha pele aquele perfume, deixando não apenas seu cheiro, mas também a promessa de que me presentearia com um de marca cara, só que feminino.
Afora isso, o único inconveniente, digamos assim, foi escutar aquelas musicas ruins. Tive que rir de algumas, infelizmente não consegui me conter diante do mau gosto evidente de meu... "amigo".

*Texto escrito ao som de cigarettes after sex - dreaming of you.

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