sábado, 14 de julho de 2018

Fiquei a sós por algumas horas e observei o tempo passar. Senhor-cabeça-de-cocô havia ido para o trabalho e Lourdes - ainda estou repensado sobre um novo nome para ela, eu prefiro chamá-la de "a-puta-que-não-me-pariu" parece um pouco pior que lourdes e me sinto maleficamente um pouco melhor quando a chamo assim - para um evento fúnebre. Era sexta-feira treze, eu gostaria de ter comparecido ao funeral. Uma senhora muito querida faleceu. "Você é tão bonitinha." Ela costumava dizer carinhosamente quando eu fazia visitas esporádicas a igreja. "O cemitério era muito bonito e, passava uma sensação de paz." Disse-me... Lourdes (?). Particularmente, gosto de ir a cemitérios. Acho um lugar bonito, melancólico... são decadentes em sua maioria. Assustadores. Em dois mil de dezessete, um cara muito legal e engraçado, padrinho de batismo de Senhor-cabeça-de-cocô, morreu subitamente. 
Portões pesados ornamentados com caveiras e pintados com o mais horroroso tom de azul, estavam escancarados. A capela ostentava algumas coroas de flores com os dizeres clichês de "saudades eternas". Uma mulher bizarra sentada logo ao lado da porta segurava sua bengala de madeira escura e, permitia que algumas lágrimas rolassem por seu rosto. Chovia, e nossos pés maculavam sepulturas recentes; a terra ainda fofa, o som me madeira vagabunda se rompendo, corpos vivos quase pisoteando os mortos.
Mas sobre o funeral de ontem, era muito mais que uma expressão consternada no rosto. Seria egoísmo puro de minha parte. Uma visita particular. Um passeio sombrio. Mas não havia espaço para mim no carro da irmã que ofereceu carona a Lourdes.
À noite, assisti aos dois filmes da Família Addams.


3 comentários:

  1. Também adoro ir a cemitérios rs

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  2. Na minha juventude, por volta dos 11 anos, estudava em um colégio próximo a um cemitério. Então nos dias em que saia mais cedo eu ia lá, admirar a arquitetura das lápides, a diferença social dos mortos, as fotos sinistras e o clima pesado.

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