sexta-feira, 13 de julho de 2018

Today's friday the 13th!
Murmúrios indistintos se arrastavam através do ar pesado e com cheiro de perfume ruim até meus aposentos esta manhã. Portas abertas porque privacidade parece um problema difícil demais para ser suportado. Gostaria de saber sobre o que elas cochichavam, mas receio que certamente era um dos assuntos a serem discutidos pelas duas necessitadas de um bom pau. Um pau generoso, pronto para exercer sua caridade, sem ligar muito para a estética da vagina enrugada: uma com sessenta e casada - com um outro cujo o pau encontra-se provavelmente impotente demais para se dignar e que certamente deve fantasiar qualquer coisa um pouco menos repulsiva para saciar solitariamente suas necessidades carnais e vomitar seu líquido espesso em qualquer lugar, menos em sua caverna lotada de teias de aranha - a outra, viúva e no auge de seus setenta anos.
"Nossa, como você é odiosa e cruel!" algum desavisado deve exclamar mentalmente enquanto lê, mas, sinceramente... foda-se.
...
Noite de quinta-feira, 12 de julho.
Vadia hóspede encontrava-se sentada à minha direita e vasculhava sua droga de rede social na droga de seu telefone. Eu me acomodava na poltrona central apoiando os cotovelos à mesa; ela é de um compensado muito perspicaz. Uma imitação constrangedora de boa madeira. Centralizada ao meio, uma placa de vidro secunda a primeira, que fora estilhaçada por um lustre pendurado quase ao centro do teto, há uns vinte anos atrás.
Tentava concentrar minhas atenções ao livro que sustentava em minhas mãos.
Elas comentavam sobre vidas alheias, obviamente. E Vadia hóspede me interrompia num intervalo de mais ou menos cinco minutos, para mostrar-me algum rosto congelado com sorriso estranho em diversas e cansativas fotos para facebook. 
Pela manhã, num ato de desespero e descontrole emocional, confidenciei uma experiência dolorosa que havia vivido meses atrás. E em algum momento daquele breve silêncio, A-puta-que-não-me-pariu resolveu contar tudo à Vadia hóspede. No que as duas dividiam-se em tempo regular para me darem seus sempre dispensáveis e inconvenientes, conselhos. Porque elas são, segundo suas próprias palavras, mulheres de deus.
Recentemente descobri que, Senhor-cabeça-de-cocô anda possivelmente me "traindo" com alguma pobre coitada. Pobre coitada porque desconhece o monstro agressor e opressor que este ser é. Mas se estão se entendendo, é porque devem ser iguais, e Pobre coitada vai merecer muito o sofrimento que a espera assim que puser meus pés fora daqui. Desse estado. Desta casa. Assim que oficializarem sua decadente união, que precipita-se ao fracasso.
Reconheço meus erros e sei que mereci passar pelo que passei, mas estarei abrindo uma garrafa de vinho assim que estiver ao lado de Morgana, minha irmã gótica-bruxa-fã-de-metal que tanto amo.

2 comentários:

  1. Quê?
    Será que entendi o que eu Li. Ele está te traindo, a meu deus do céu. ><

    Eu detesto pessoas que se dizem de deus, e fazem esse tipo de coisa. Num é melhor cada um cuidar da sua própria vida? Mas é melhor cuidar da outro, óbvio.
    Sua carta já esta sendo feita minha amiga, espero uma visita sua. Pois também quero um gole deste vinho...

    Beijos, cuide se <3

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  2. Por mim esse universo de putrefação que te enfiaram já deveria ter sumido do tempo-espaço. Pelo que entendi você vai embora daí e voltar "pra cá". Quero muito que você se livre desses embustes. O quanto antes.

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